7 de dezembro de 2010

Competência 6 – Compreender e usar os sistemas simbólicos das diferentes linguagens como meios de organização cognitiva da realidade pela constituição de significados, expressão, comunicação e informação.

H18 – Identificar os elementos que concorrem para o progresso temático e para a organização e estruturação de textos de diferentes gêneros e tipos.

Catar feijão

1.

Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco. 


2. 

Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de que entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a como o risco.

(João Cabral de Melo Neto)

No poema Catar Feijão, de João Cabral de Melo Neto, o autor revela a sua concepção do ato criador. Tem como objeto a construção do poema e toma como referência um ato do cotidiano em que o escolher e o combinar são necessários.
O texto abaixo, de Machado de Assis, extraído da obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, mostra o narrador que dialoga com o leitor sobre o processo de escrita de um livro.

“O senão do livro
Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me canse; eu  não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direita e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem.”
(Machado de Assis)

A partir das explicações dadas, compare o tema central dos textos acima à imagem a seguir.


Percebidos os temas centrais dos textos e da imagem, confronte a função que tem os textos poéticos, a prosa e a imagem em seu contexto social.
Crie uma tabela comparativa que explique a estruturação dos dois textos escritos que foram analisados acima.
Agora é sua vez. A partir da função analisada na figura, desenvolva com seus colegas, uma tirinha aplicando os conceitos apropriados.


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H19 – Analisar a função da linguagem predominante nos textos em situações específicas de interlocução.

Utilizamos a linguagem para expormos organizadamente nossos pensamentos. É através dela que expressamos sentimentos, nomeamos as coisas, damos vida às ações, falamos dos outros e de nós mesmos.
A apropriação de sinais, gestos, letras, signos em geral acarreta na apropriação e desenvolvimento dos processos de comunicação.
Segundo Samira Chalhub

“Diferentes mensagens veiculam significações as mais diversificadas, mostrando na sua marca e traço [...]. O funcionamento da mensagem ocorre tendo em vista a finalidade de transmitir — uma vez que participam do processo comunicacional: um emissor que envia a mensagem a um receptor, usando do código para efetuá-la; esta, por sua vez, refere-se a um contexto. A passagem da emissão para a recepção faz-se através do suporte físico que é o canal. Aí estão, portanto, os fatores que sustentam o modelo de comunicação: emissor; receptor; canal; código; referente; mensagem”. (1990, p.1)

Ainda segundo Chalhub:

“Numa mesma mensagem [...] várias funções podem ocorrer, uma vez que, atualizando corretamente possibilidades de uso do código, entrecruzam-se diferentes níveis de linguagem. A emissão, que organiza os sinais físicos em forma de mensagem, colocará ênfase em um a das funções — e as demais dialogarão em subsídio, [...].” (1990, p.9)

Jakobson foi quem, além de manter as funções antes dele apontadas, deu-lhes novos nomes: referencial, emotiva e conativa. Além disso, introduziu três novas funções: fática, metalingüística e poética. O que totaliza, portanto, seis funções ao todo, relacionando cada uma delas a um dos componentes do processo comunicativo.

 


Desta forma, em cada ato de fala, dependendo de sua finalidade, destaca-se um dos elementos da comunicação, e, por conseguinte, uma das funções da linguagem. Com base nesta informação, atente-se à charge a seguir:

 


Sabe-se que o conjunto das funções utilizadas no processo comunicacional é o responsável pelo sentido dado à mensagem. A partir destes conceitos e das descrições providas, relacione a tirinha com a tabela abaixo colocando os exemplos das dadas funções:



Descrição:
Exemplo:
Função referencial
É utilizada para transmitir uma mensagem. Refere-se ao que se diz.

Função poética
É utilizada para despertar no leitor a surpresa e o prazer estético.

Função fática
É utilizada como verificação do canal da mensagem, fortalecendo sua eficiência.


Função metalingüística
É utilizada para referenciar-se à própria linguagem, em processos explicativos.

Função emotiva ou expressiva
É utilizada para demonstrar as opiniões do emissor, como marcas pessoais.

Função conativa
É utilizada para persuadir o receptor, envolvendo-o com o conteúdo da mensagem.



Uma das funções acima não pode ser analisada no texto em questão. Esta função é altamente utilizada em propagandas para omitir detalhes importantes para os consumidores, fortalecendo outra função.



Qual a função omitida nesta propaganda e qual seu objetivo?

Qual a função mencionada acima que é utilizada em peso em propagandas? Utilize-a criando uma campanha publicitária para um produto de sua escolha. Insira neste projeto outras funções da mensagem, determinando sua importância para tal.

 
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H20 – Reconhecer a importância do patrimônio lingüístico para a preservação da memória e da identidade nacional.


 

Questão 1:


 "O diagnóstico é do ambientalista Paulo Adário, coordenador internacional do Greenpeace na Amazônia: "Há uma grande esquizofrenia na ação do governo. Enquanto o Ibama e o Serviço Florestal Brasileiro criam regras e normas elogiáveis, melhoram o sistema de monitoramento para empresas e comunidades, outro órgão do mesmo governo, o Incra, promove assentamentos de sem-terra no meio da floresta. Sem conseguirem sobreviver com a lida da terra, os assentados acabam por desmatar tudo". Apesar de freqüentemente esquecida na questão amazônica, a ação do Incra e de seus parceiros, os sem-terra, responde sozinha por 20% de todo o desmatamento registrado na região. Seis de cada dez famílias que o governo assentou entre 1995 e 2006 foram levadas para a Amazônia. Hoje, elas somam 1,3 milhão de famílias. Cada uma recebeu um lote médio de 100 hectares e a autorização para desmatar apenas 3 hectares por ano. Apesar de esse limite não ser respeitado, as áreas estão a salvo da fiscalização do Ibama por decisão do governo federal. Com a impunidade assegurada, assentados e grupos de sem-terra são atualmente os maiores fornecedores de madeira retirada da floresta sem autorização do s órgãos ambientais."
(VEJA. Leonardo Coutinho e José Edward. 26 de março de 2008)


Gonçalves Dias fez parte da corrente de escritores da primeira fase do romantismo, conhecido por descrever as belezas naturais do Brasil. Gonçalves Dias compôs o poema cinco anos depois de partir para Portugal, onde fora cursar Direito na Universidade de Coimbra. Longe de casa ele escreve “Canção do exílio” pensando em sua terra natal: o Brasil.


Canção do exílio

Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá; 
As aves, que aqui gorjeiam, 
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas, 
Nossas várzeas têm mais flores, 
Nossos bosques têm mais vida, 
Nossa vida mais amores. 

Em  cismar, sozinho, à noite, 
Mais prazer eu encontro lá; 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá. 

Minha terra tem primores, 
Que tais não encontro eu cá; 
Em cismar –sozinho, à noite– 
Mais prazer eu encontro lá; 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá. 

Não permita Deus que eu morra, 
Sem que eu volte para lá; 
Sem que disfrute os primores 
Que não encontro por cá; 
Sem qu'inda aviste as palmeiras, 
Onde canta o Sabiá.  
  
Gonçalves Dias (1847)

Percebe-se que a leitura do primeiro texto não traz uma visão agradável da situação da floresta amazônica dentro dos próximos anos, essa visão se dá ao fato da ação do homem branco estar interferindo radicalmente nos contextos ambientais da floresta.

Com base na leitura dos dois gêneros textuais, produza uma poesia que vincule a visão da natureza no passado, no presente, e no que poderá acontecer no futuro.

Grupo:
Bárbara Capelli
Bruna Marques
Paulo Rogério
Tiago Defacio

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